A solidão é o sentimento de não ser lembrado por ninguém. E
atinge níveis insuportáveis quando se está só e com muita gente em
volta. A adolescência é a fase em que se está mais sensível a estes
aspectos. Por um lado tomamos conhecimento de nossa intimidade, e
procuramos estar a sós para nos descobrirmos. Por outro lado sentimos
necessidade de estar com os outros. O adolescente amadurece se consegue
harmonizar este antagonismo.
A virtude da lealdade é normalmente o elo de ligação de uma
turma. Por terem algo em comum, se sentem solidários e "vestem a
camisa". É a turma do play, da rua, da praia, do futebol, etc...
Defendem-se uns aos outros como defendemos o nosso time, o nosso
colégio, a nossa rua, o nosso país.
Cada um dos componentes desta turma está amadurecendo
interiormente, e purificando os próprios valores. O antagonismo acontece
quando tais valores não se alinham aos da "turma". O risco que corremos
é de nos deixar "corromper" pela opinião da maioria para sermos
aceitos... para não nos sentirmos sós. E a turma, por vezes, é cruel. Se
você não está com eles, então não lhes é "leal" e é repudiado. E este
repúdio acontece pois o elo principal que une a turma é a lealdade e não
a amizade.
Existem dois fatores que diferenciam a nossa relação com os
nossos amigos da nossa relação com a turma. A primeira deles é a
simpatia mútua, o que é coisa rara. É claro que, em uma turma, contamos
nos dedos de uma mão aqueles com quem temos afinidade irrestrita.
E o que o adolescente descobre é que tem um tesouro dentro de
si que não deve ser lançado aos quatro ventos. Somente alguns poucos são
convidados a compartilhar deste tesouro... os nossos amigos.
Este é, inclusive, um condicionante para o surgimento de uma
verdadeira amizade. O descobrimento da própria intimidade. Pois se não
tivermos descoberto os valores que trazemos em nós, o que teremos a
compartilhar? Por esta razão somente a partir da adolescência nascem as
grandes amizades.
O segundo aspecto que diferencia a nossa relação com os nossos
amigos da nossa relação com a turma, é o interesse que há pela melhora
mútua. Os nossos amigos querem o melhor para nós!!! Se descobrem valores
verdadeiros no outro, querem preservá-los e potencializá-los. E ambos
crescem.
Que grande responsabilidade temos nós na escolha da "turma" com
quem andamos!! O exercício da amizade se inicia na seleção daqueles aos
quais abriremos nossa intimidade.
Não vamos nem supor que somos daqueles "maria vai com as
outras" que entra na onda da turma para ser aceito por ela. Podemos ter
alguma habilidade que nos faz aceito. E a nossa autoconfiança excessiva
pode nos levar a crer que estaremos pouco sujeitos às influências
daqueles valores que a turma compartilha... e com os quais não
concordamos.
Corremos o risco de acontecer uma forte empatia com algum dos
membros daquela turma. Aí abrimos nossa intimidade, e podemos terminar
contaminados por aquela amizade inconveniente. E em vez de melhorarmos
como pessoa, pioramos.
Um grande passo que dá o adolescente, apesar de chamar a todos
de amigos, é reconhecer que existem aqueles que são companheiros de
interesse em comum, e, dentre estes, alguns poucos que são nossos amigos
de verdade, que são nossos torcedores incondicionais, que querem o
melhor para nós, e que são capazes de, por nós, colocar a mão no fogo.
Amizade, uma grande criação de Deus. Quem tem um grande amigo desconhece o que seja a solidão!!! |
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